Publicação/Atualização: 29 set 2011.

Campanha da hipocrisia




PEDRO LIMA

O governo federal – como sempre sem ouvir a população – insiste na campanha do desarmamento, tentando desarmar as pessoas de bem, de modo que andar armado seja privilégio de bandidos. Trata-se de uma hipocrisia deslavada, porque todo mundo sabe que bandido não usa arma registrada não as adquire em lojas, e nem pede porte de arma.

É de conhecimento público também – só as autoridades não sabem – que os calibres e a potência das armas usadas pela bandidagem não se encontram a venda nas lojas. E, se elas existem em abundância, armas que até derrubam helicópteros ou é por conivência ou incompetência das autoridades responsáveis.

A bandidagem tomou conta do país de tal maneira que nem magistrados e promotores de justiça têm garantias. A falência do poder público chegou a tal ponto, que em algumas cidades o juiz titular da comarca tem que morar em outra cidade e prolatar sentenças a distância. No caso do Rio de Janeiro, foram próprios membros da policia militar que executaram a juíza de São Gonçalo. E ainda com a justificativa sem a menor lógica do presidente do TJ do Rio de Janeiro que uma escolta armada que o tribunal deveria ter dado à juíza não teria evitado o crime.

Pistoleiro não sai para trocar tiros, ele sai para matar. Na verdade, foi uma omissão grave do tribunal de justiça que caracteriza a falência da segurança pública. Daí a interrogação: se nem juiz e promotor têm garantias do Estado, e nós? Nós temos que queixar ao bispo.

Num país em que salvo honrosas exceções há uma promiscuidade entre milícias composta por policiais concorrendo, disputando territórios com traficantes, assaltantes e outros bandidos, o governo quer transformar o cidadão de bem em cordeirinho marchando para o matadouro sem a menor chance de se defender bem a sua propriedade e a sua família.

Ademais, o governo, num país em que a saúde esta falida, a educação está falida, e a segurança está falida, país em que o governo não cumpre suas obrigações com o cidadão, em que a constituição quando se trata de cidadania é letra morta, qual a moral que têm as autoridades para querer que um cidadão de bem vá fazer bonito e entregar sua arma deixando a si e a sua família indefesos. Até porque, conforme o que se tem noticia que nenhum bandido até agora entregou sua arma.

Desafio o poder público a publicar uma estatística comparativa do seguinte: quantos processos por homicídio que tramitam na justiça cuja arma do crime é registrada e tem porte? Quantas pessoas são assassinadas por cidadãos comuns, que não sejam nem bandidos nem policiais? Qual é o numero de pessoas mortas no trânsito nas cidades e rodovias? Quantos motoristas que embriagados e drogados mataram várias pessoas de uma vez estão presos e condenados? Quantas pessoas morrem por dia nos corredores de prontos socorros e hospitais públicos no Brasil?

Se a preocupação do governo é poupar vidas, a primeira providência e investir e moralizar a saúde. A saúde pública no Brasil está tão falida, que nem decisão judicial está resolvendo. Só para dar um pequeno exemplo: em Alagoas, duas crianças cujos pais estavam com liminar judicial para serem operadas faleceram porque o hospital público não acatou a decisão da justiça. Isto acontece todos os dias. Tem gente que precisa tomar remédios de alto custo, vai à justiça consegue liminar e o Estado simplesmente responde que não tem o remédio.

A outra forma de poupar muitas vidas é moralizar o trânsito, tirar de circulação esses bandidos que fazem do seu veículo uma arma. No Brasil o melhor jeito de se eliminar um desafeto sem sofrer consequencias é atropelando-o. Nós somos um país tão esculhambado, que senador da República e deputado federal são flagrados bêbados, dirigindo com carteiras vencidas e a coisa fica por isso mesmo. Belo exemplo ao povo.

Li recortei e arquivei um artigo de Leo Medeiros publicado no jornal A Gazeta, com o titulo: “Cidadão, me responda” que deveria ser divulgado em todo o Brasil. Resume exatamente o que pensa a população e a realidade que a sociedade vive. Será que foi lido por um desses defensores do desarmamento? Chega de hipocrisia.