Publicação/Atualização: 16 jul 2010.

Cristina considera lei de união gay um marco





Roberto Saperleg

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, comemorou nesta
quinta-feira a aprovação em seu país da primeira lei da América Latina que
permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, considerando o feito "um
marco".

"Acho que, sinceramente, (a medida) reflete um marco na ampliação dos
direitos civis na República Argentina e representa bem toda a sociedade",
declarou Cristina durante um encontro com a imprensa no pavilhão argentino da
Exposição Universal de Xangai 2010, que visitou nesta quinta-feira.

Argentina se tornou o primeiro país latino-americano a legalizar o casamento
homossexual. A seção do Senado que aprovou a nova lei durou mais de 14 horas e
se encerrou no início desta quinta-feira.

"Se você viu que há 58 anos atrás, e eu tenho 57, mas há 58 eu não poderia
ser votada para presidente, e hoje eu sou a presidente", argumentou a presidente
em defesa da última "quebra de tabus", cuja lei tinha a oposição da Igreja.

"Se você viu que há duas ou três décadas, ou quatro nos EUA, os casamentos
interraciais eram proibidos, que eram vistos como um crime, e hoje o presidente
dos EUA é um negro", continuou.

"Acho que este é mais um passo importante na expansão dos direitos civis, e
que, na minha opinião, representa bem a nossa sociedade", explica. "Eu vejo
nessa perspectiva. Acho que é a única perspectiva possível que se pode opinar
sobre a expansão dos direitos civis e, especialmente, dos direitos das
minorias", concluiu.

Nesta mesma semana, Cristina já tinha dado seu apoio, em Pequim, ao direito
dos homossexuais de casarem, e criticou as expressões que a Igreja Católica usou
para opor à iniciativa aprovada pelos deputados e defendida pelo Governo
argentino.