Caroline Rodrigues
Da
Redação/A Gazeta
Mato Grosso é o quinto no ranking nacional em casos de hanseníase, estando
abaixo dos Estados do Pará, Maranhão, Pernambuco e Bahia. O coordenador estadual
de Combate à Hanseníase, Cícero Fraga de Melo, diz que a doença está ligada aos
bolsões de miséria, onde há falta de infraestrutura nas casas e de saneamento.
Segundo a Superintendência em Saúde, foram registrados 2.275 casos no ano de
2009, a maior parte dos casos está na baixada cuiabana.
Começou ontem a Campanha Estadual de Combate a Hanseníase, que vai até o dia
31 de janeiro. O objetivo, segundo Cícero, é divulgar informações para a
população e também profissionais, possibilitando o diagnóstico precoce. Outra
questão que será abordada é o preconceito com relação aos doentes, que chegam a
obter a cura em 73% dos tratamentos realizados pelo serviço de saúde
pública.
Cícero conta que o contágio da hanseníase é pelo ar, então é comum as pessoas
retirarem o doente de casa e até mesmo separar talheres e facas utilizadas por
ele. A ação, segundo o coordenador, é desnecessária porque após 7 dias de
tratamento, não há mais risco de contaminação.
Os doentes não podem desistir do tratamento, que dura entre 6 meses e 1 ano.
Caso fiquem mais de 3 meses sem tomar o remédio, precisam começar as aplicações
desde o início.
Os primeiros sintomas são manchas vermelhas na pele e falta de sensibilidade
no local. Depois, as reações vão evoluindo e o organismo reabsorve o próprio
organismo, por isto ocorre a deformação de partes do corpo.
Como a pessoa perde os sentidos da pele, a situação facilita os acidentes e
também machucados. O tratamento inadequado ou ambiente insalubre faz com que o
sistema imunológico fique fraco, causando infecções.
Cícero fala que o tratamento evoluiu muito no Estado, que há 10 anos ocupava
o primeiro lugar entre as notificações. A mudança, segundo o técnico, aconteceu
porque muitos doentes eram "invisíveis" ao sistema de saúde em outras áreas do
país.