Eu tenho me perguntado e nas rodas de amigos tenho feito o seguinte questionamento: será que o progresso, sob o ponto de vista de qualidade de vida valeu a pena? Será que o custo moral, a miséria, a violência e a corrupção generalizada compensam essa liderança do estado no setor da agropecuária? Ou será que nós mato-grossenses somos péssimos administradores, incapazes de gerenciar os recursos que entram nos cofres do estado?
A indiferença, a incompetência e o descaso das autoridades constituídas em relação ao ser humano – que, diga-se de passagem, deve ser a meta principal de qualquer administração, transformou a nossa antes tão gostosa Cuiabá na capital da miséria e da violência.
A miséria chegou a tal ponto em Cuiabá, que ficou impraticável andar a pé nas ruas da cidade. A todo o momento a gente é abordado por pedintes. As pessoas que se sentam numa padaria tomando café e aproveitando para pôr a conversa dia com os amigos, a todo o momento são assediadas por pedintes.
Essa presença onipresente de pedintes, drogados, alcoólatras e moradores de rua em Cuiabá agride a nossa consciência cristã. Nós acabamos nos sentindo culpados em parte, mas na qualidade de cidadão comum não temos a menor condição de resolver o problema de vez que somos gravados por uma das maiores cargas tributárias do mundo.
Haja vista o lamentável incidente que ocorreu numa das pizzarias da capital que culminou com a morte do ex-estudante africano. Uma família que resolveu ter um momento de lazer acabou se envolvendo num incidente trágico com um pedinte, o que transformou uma noite de prazer numa noite de horror. Aliás, os proprietários dos estabelecimentos deveriam cuidar para não permitir a entrada de pessoas que, visivelmente, vão importunar os clientes.
As primeiras damas do estado e do município, que, hipoteticamente, são responsáveis pelo social, só querem aparecer nas colunas sociais e na televisão e nas festas. Elas, com certeza não andam nas ruas para verificarem ao vivo o quanto Cuiabá tem de pessoas abandonadas, verdadeiros mortos/vivos que vivem completamente á margem da vida, que hoje são pedintes e amanhã assaltantes. A fome dói, antes pedir do que roubar mas a partir do momento em que os países criaram a figura dos tributos, ficou convencionado, ficou bem estabelecido a responsabilidade do Estado em relação ao cidadão.
Quem tem o costume de levantar cedo pode comprovar o número de pessoas que dormem nas marquises dos prédios e na própria rua. A prefeitura de Curitiba todos os dias a partir das 18:00 horas recolhe
todos os moradores de rua que vão para um albergue, tomam banho, jantam, e, no outro dia cedo após o café da manhã são liberados.
Acontece que Curitiba é 1° mundo e, em que pese que não haver gente melhor do que o cuiabano no mundo, as péssimas administrações da nossa cidade jogaram Cuiabá para o 5° mundo.
O único “benefício” que a prefeitura oferece ao povo são as multas fantasmas sejam os policiais militares, sejam os guardas municipais que, em vez de prestarem assistência nas portas dos colégios protegendo mães e filhos, estarem presentes quando há qualquer transtorno no trânsito como chuvas torrenciais, falta de energia, defeitos nos semáforos, ocorrem acidentes, eles ficam escondidos fiscalizando por osmose.
São pessoas superdotadas que têm o dom de enxergar no escuro um motorista com insulfilme no carro se ele esta sem cinto de segurança. E ao invés de mandar o motorista, supostamente faltoso, parar – usando o poder de polícia comprovar a falta e mandar assinar a multa – vão escolhendo aleatoriamente quais placas vão multar. Ou são covardes, ou omissos, ou irresponsáveis.
A população recebe de presente ruas com esgoto fedido, buracos e violência. As nossas autoridades não convivem com o povo, vivem numa redoma de vidro numa ilha artificial à custa do erário. Andam cercados de seguranças, carros blindados se deslocam para o interior em aviões modernos. Bancam escolas particulares caras, e qualquer espirro vão para o Sírio-Libanês ou o Albert Enstein enquanto o povo de Cuiabá e de Mato Grosso vivem num continente de miséria, mendicância, com a educação, a saúde e a segurança com os piores indicadores do Brasil.
Valeu à pena o progresso? A! Minha doce e generosa Cuiabá o que fizeram de ti? A! Meu Mato Grosso da chalana e do cantar da seriema o que fizeram de ti? Já levaram tudo, agora querem roubar a nossa alma.
Pedro Lima é analista político e advogado. E – mail aurorazaidem@hotmail.com