Publicação/Atualização: 14 set 2011.

Tragédias de agosto




PEDRO LIMA

Eu nunca tive simpatia pela presidente Dilma. Acho-a um tipo sargentona, mal-educada, – aqueles sargentos de filme americano – agressiva e que trata mal seus auxiliares de governo, bem como as pessoas que convivem com ela. No entanto, pelo seu passado de luta, sempre apostei que ela fosse fazer um governo sério, ao contrário do seu padrinho Lula, que em toda história do Brasil foi o presidente que mais se omitiu quando o assunto era corrupção.

A minha experiência de militância política me ensinou que sempre que algum governante para mostrar prestigio elege alguém sem expressão política, o eleito só tem uma alternativa para governar: romper com seu padrinho político sob pena de haver um governo paralelo, como já está havendo, e nada funcionar. Ainda mais no caso do Lula, que é um sujeito megalomaníaco que não tem senso de ridículo e se julga o maior líder mundial de todos os tempos.

Quando o governo que sai erra de previsão pode dar efeitos positivos ou negativos. Um exemplo é o Dante que, seguro de que o Antero seria eleito, deixou o estado redondo, saneado, na cabeceira da pista pronto para decolar e acabou o Blairo colhendo os frutos.

Lula deixou o Brasil no bagaço, completamente sucateado pronto para ressuscitar a inflação pensando que o Serra iria ganhar a eleição. De repente deu zebra e a herança maldita sobrou para a Dilma. O tiro saiu pela culatra.

Dilma não tem o dinamismo, o otimismo e o pique de trabalho de um Juscelino, não sabe embromar e nem tem habilidade política como o Lula. O que poderá ser a sua grande arma e, é o que o Brasil está necessitando, será a responsabilidade, a austeridade e o combate enérgico à corrupção.

Embora empurrada pela imprensa livre, independente e séria – essa mesma imprensa que o governo Lula quis calar de forma arbitrária, Dilma iniciou um processo de faxina moral começando pelo Ministério dos Transportes – Dnit, onde desmontou a quadrilha do PR que a imprensa apelidou de partido da rapina.

Pelo mesmo motivo, corrupção, já havia afastado da Casa Civil uma das maiores estrelas do PT: Palocci. A faxina chegou no Ministério da Agricultura, um dos feudos de Michel Temer. Ai, num efeito dominó, estourou no Turismo, Cidades e Esportes e ninguém sabe até onde iria chegar. Comandadas por Lula, as bancadas de sustentação do governo colocaram a presidenta na parede. E, daí, para tristeza do povo brasileiro, aconteceu mais uma das tragédias de agosto: Dilma capitulou.

A presidenta mudou o seu discurso: começa a dizer que a sua faxina agora era contra a miséria. Segundo dados da fundação Getulio Vargas a corrupção custa ao povo brasileiro 5 bilhões de reais mensais. Com esse dinheiro daria para erradicar a miséria e ainda ajudar bastante a saúde, que esta sucateada, sem que seja necessário criar mais impostos num pais que tem uma das cargas tributarias maiores do mundo. E um detalhe: sem retorno para a população. Logo, a faxina da miséria passa pela faxina da corrupção.

No período inflacionário se dizia que o imposto mais cruel que o brasileiro pagava era o da inflação. Debelada a inflação, o povo paga agora um imposto mais cruel ainda, que é o da corrupção. Agosto é um mês marcado por tragédias no mundo político; foi em Agosto que Jânio renunciou cujas conseqüências foram 20 anos de ditadura militar. Foi em agosto que Getulio suicidou, e foi em agosto que Dilma frustrou a esperança do povo brasileiro renunciando o que seria a sua luta mais nobre e relevante: a luta contra a corrupção.